Toda reunião começa igual. O cliente abre o notebook, mostra o site do concorrente e diz: "quero algo assim, mas mais bonito."
É uma armadilha silenciosa. E a maioria das agências aceita o briefing sem questionar "porque é mais fácil", mais rápido e mais lucrativo entregar visual do que estrutura.
O problema aparece seis meses depois. Quando o dev que fez o site some. Quando a empresa cresce e o sistema não acompanha. Quando alguém pergunta "quem tem acesso ao servidor?" e ninguém sabe responder.
Beleza não tem SLA. Governança, sim.
O que "bonito" resolve (e o que não resolve)
Um site bem desenhado converte melhor, transmite profissionalismo e cria uma primeira impressão positiva. Isso é real e importa.
Mas design não responde às perguntas que mantêm um decisor acordado à noite:
- Se o responsável técnico sair amanhã, o site para?
- Quem pode atualizar o conteúdo sem depender de dev?
- Existe backup? Onde? Com qual frequência?
- O sistema está em conformidade com a LGPD?
- O que acontece quando o tráfego dobrar?
Essas perguntas não aparecem no portfólio de nenhuma agência. Aparecem na auditoria, no incidente e na renovação de contrato que não acontece.
Governança: o que significa na prática
Governança não é burocracia. É a diferença entre um site que é um ativo da empresa e um site que é uma dependência de uma pessoa específica.
Um site com boa governança tem:
Propriedade clara: domínio, hospedagem em nome da empresa, não do fornecedor. Parece óbvio. Não é.
Documentação real: não um manual de 80 páginas que ninguém lê, mas um registro claro de onde está cada coisa, como acessar, o que fazer em caso de problema.
Acesso controlado: quem pode publicar conteúdo, quem pode alterar configurações, quem pode ver dados de usuários. Com log de auditoria.
Processo de atualização: não depender de chamado para trocar um texto. CMS configurado para que a equipe interna opere com autonomia.
Governança é o que permite que a empresa troque de fornecedor sem entrar em colapso.
Continuidade: o site que não para
Continuidade é a capacidade do site de continuar funcionando (e evoluindo) independente de qual dev está trabalhando nele hoje.
Isso exige três coisas:
Código com padrão: escrito de forma que qualquer desenvolvedor competente consiga entender, manter e expandir. Não um frankestein de gambiarras acumuladas.
Infraestrutura resiliente: hospedagem que não cai quando o plano básico esgota os recursos, backup automatizado, monitoramento de disponibilidade.
Contrato de evolução: não apenas "entregamos o site pronto". Um acordo claro sobre o que acontece nos próximos 12, 24 meses: atualizações, novas features, suporte.
Um site que para de funcionar às 23h de uma sexta-feira, sem ninguém para atender, não é um problema de design. É um problema de continuidade.
A pergunta que você deveria fazer antes de contratar
Antes de aprovar qualquer proposta de site, faça uma pergunta simples ao fornecedor:
"Se você sumir amanhã, o que acontece com o meu site?"
A resposta vai revelar tudo. Se a resposta for vaga, defensiva ou depender de muitas condições, o projeto tem um problema estrutural que nenhuma paleta de cores vai resolver.
A resposta correta inclui: onde está o código, quem tem acesso, qual é o processo de transição.
Se você não sabe a resposta para o seu site atual, esse é o melhor momento para descobrir.
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Conclusão
Estética e função não são opostos. Um site pode ser bonito e bem governado, e preparado para continuidade.
O erro é tratar o visual como o critério principal de avaliação, e só descobrir o resto quando o problema já chegou.
Decisores que entendem isso constroem ativos digitais. Os outros constroem despesas recorrentes.

